um segundo e eu entro em histeria compulsiva, uma faisca e a minha mente passa para outro nível, um nivel de caos... onde a forma não respeita a cor...
onde o corpo mata a alma... onde a alma morre para o politicamente incorrecto...
um cenário preto de morte
cinzento de cinza, vermelho de sangue...
o sentimento de dor e miséria prevalecia forte
cinzento de esperança... vermelho que tingue..
vi o sol ficar escuro e as aves a cairem mortas na terra
vi o fogo consumir tudo á minha volta numa guerra
vi-me a matar para sobreviver... que moral a minha
para respirar cada segundo a fazer trinta por uma linha
LOUCO... LOUCO DIZES TU???LOUCO!?!?
ás de me ouvir gritar por mais até que fique rouco
não quero esta terra fétida de ninguém
este mente megalomaniaca de um corpo refém
Não sou DEUS! OUSAS DIZER QUE NÃO SOU DEUS??
vais ver a minha força religiosa com a morte dos ateus
vou obliterar o teu mundo, e negar-te o meu canto
sentirás a presença da morte no teu manto
DEMENTE... SIM DEMENTE... MUITO DEMENTE
mas não vais ver mais vida senão a da gente
está tudo morto e enterrado... pela minha mão tudo cremado
tudo o que era certo agora está errado...
ouviste? OUVISTE?
hey...acorda...acorda...
um segundo depois e abrem-se as cortinas dos olhos para revelar o que chamamos de realidade, o sol bate forte na janela e os cantos dos passaros são algo ensurdecedor para uns ouvidos sonambulos tão sensiveis ao som... mas a vejo uma forma... a tua...
«hey...acorda...acorda... tiveste um pesadelo...»
e sinto-me seguro enquanto ela passa a mão pelo meu cabelo
confiante enquanto ela me segura, os lábios deixam-se sorrir
deixam-se beijar enquanto eu penso... não me deixes dormir...
ou será acordar...
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Depois de cerca de 48 horas encostei a cabeça na almofada, não estou habituado a tanto tempo acordado mas saber as imagens que vou ver quando cair no sono, não quero dormir apesar de o meu corpo estar a ser sugado pelo colchão... sinto que peso o dobro... já não consigo levantar a face... já não consigo abrir os olhos... já não...
A paisagem de cinzas e desolação a cubrir o horizonte
Um parque infantil com baloiços partidos e sangue na fonte
A areia vermelha, o barulho do vento nas correntes penduradas
o silencio do resto... uma mente distorcida num conto de fadas
Eu estive aqui na infancia... EU NÃO ESTOU ERRADO
Mas pela minha mão mato tudo o que está preso ao passado
Agarrei o tempo pelo pescoço que degolei com ponteiros
Uma solução drástica mas necessária para ocupar os meus dias inteiros
Mas ainda ouço as vozes de crianças a rirem e a correr
apesar de enterradas... ficam cá dentro a bater
Os meus pensamentos distorcem tudo o que eu ouço
com este cheiro putrído entranhado na pele e no osso
EU TENHO PROBLEMAS??? É ÓBVIO QUE TENHO...
Pelos rios correm sangue e aí eu tomo banho
Esta mente corrompe tudo e tranforma em perigos
E A POBREZA ACABOU PORQUE EU MATEI OS MENDIGOS
ACABOU TUDO PARA TI... OU VAI ACABAR
Tás aqui agora não penses que vais escapar
A tua dor ainda agora começou para meu prazer
Eu tenho toda a eternidade para te ver sofrer
«ACORDA...»
ele aproxima-se de mim... é o meu espelho... mas não tem olhos, tem poços pretos que sugam toda a vida ao invés, ele com um braço levanta-me do chão pelo pescoço... sinto as suas unhas a furarem a pele até ao músculo... não consigo respirar... os meus olhos reviram-se nas órbitas... o meu nariz sangra... tremo compulsivamente... sinto o sabor do sangue na boca...
«ACORDA...ACORDAAAAAAAAAAAAAAA»
está tudo tudo escuro nesta dimensão... pareçe que estou num espaço sideral sem estrelas... mas eu não quero... não quero viver debaixo de um céu onde as estrelas estão mortas... sinto a minha cara ensopada... como se gotas de chuva caiem-se uma a uma sobre o meu rosto... serão as tuas lágrimas?
«POR FAVOR ACORDA...POR FAVOR...»
Sei que me vais odiar por isto meu amor... mas se eu acordar... vou ter de voltar a dormir...
Ali estava eu... no meu próprio purgatório... algo criado pela minha própria mente para não acordar e não entrar num estado de sono. Vivia na penumbra com pouca luz a radiar do meu mundo real e uma certa luz vermelha e um cheiro nauseabundo a vir do meu subconsciente louco e destrutivo...
Como descrever que eu estava sentado de pernas cruzadas e mãos na cabeça no nada... como descrever o nada... talvez vazio de tudo ou cheio de coisa nenhuma... ao menos tinha espaço, muito espaço até... lá as minhas ideias, qualidades e defeitos tomavam forma fisica e livre de gravidade... os meus defeitos matavam as ideias que por sua vez voltavam a existir devido ás minhas qualidades entrando num ciclo vicioso de vida e morte...
Coma profundo dizem eles os entendidos, previamente qualificados nas escolas mais caras...
Tenho de acreditar... enquanto a minha mente toma forma fisica e divide-se entre o acordar para um mundo onde sou mero pião... ou dormir e entrar no meu reinado de desolação...
este espaço infinito de repente transforma-se em claustrofóbico... eu sei que sou forçado a tomar uma decisão. Levanto-me, começo a correr, não paro, cada vez mais rápido, rumo a nada para escapar ao inescapável, luto contra o imbatível, mas não paro por nada, não posso...até que bato de cabeça em absolutamente nada... uma parede... espelhado a reflectir aquilo que sou... limites no infinito???
Era esta a lição moral da minha própria loucura... vivi sempre dentro das minhas próprias limitações, nunca quis lutar por algo mais do que aquilo que era possivel... a minha própria mente explodiu por mim e revelou-me algo megalomaniaco que eu confinei por tanto tempo... ISTO É A MINHA MENTE E EU FAÇO DELA O QUE EU QUERO ... olho para a minha mão vazia e ponho um cigarro na ponta dos dedos previamente aceso... NADA MAS NADA VAI-ME IMPEDIR DE SONHAR ESTA NOITE...
Olho para o espelho... vejo em mim o velho homem banal com a expressão louca dos meus sonhos...
o sangue da pancada com a testa escorre pelos meus olhos atravessando a face até ao queixo e cai gota a gota no vazio... prendo a beata entre o indicador e polegar direito de maneira a deitá-la fora... um ultimo relance ao espelho... fecho os olhos... chegou o tempo...
«minha senhora... o seu marido... está a dar sinais de vida...»
olho para a cara dela como a recordação mais doce da qual senti mais falta... drogado... sinto o meu corpo a deixar este estado entorpecido e dormente para esticar uma mão para lhe sentir o rosto, a pele macia... ver as reacções nos olhos e lábios... ela sentou-se ali ao meu lado... disse as palavras que caracterizaram o medo pelo qual passou, sentiu as palavras do medo dos médicos cépticos e pouco esperançosos... e agora valoriza aquilo que poderia ter perdido como se o tivesse... assim como eu...
- quanto tempo estive fora de mim?
- o suficiente para nunca mais te ires embora...