Dec 16, 2004
Planar Dementia: story of a wicked mind

um segundo e eu entro em histeria compulsiva, uma faisca e a minha mente passa para outro nível, um nivel de caos... onde a forma não respeita a cor...
onde o corpo mata a alma... onde a alma morre para o politicamente incorrecto...

um cenário preto de morte
cinzento de cinza, vermelho de sangue...
o sentimento de dor e miséria prevalecia forte
cinzento de esperança... vermelho que tingue..

vi o sol ficar escuro e as aves a cairem mortas na terra
vi o fogo consumir tudo á minha volta numa guerra
vi-me a matar para sobreviver... que moral a minha
para respirar cada segundo a fazer trinta por uma linha

LOUCO... LOUCO DIZES TU???LOUCO!?!?
ás de me ouvir gritar por mais até que fique rouco
não quero esta terra fétida de ninguém
este mente megalomaniaca de um corpo refém

Não sou DEUS! OUSAS DIZER QUE NÃO SOU DEUS??
vais ver a minha força religiosa com a morte dos ateus
vou obliterar o teu mundo, e negar-te o meu canto
sentirás a presença da morte no teu manto

DEMENTE... SIM DEMENTE... MUITO DEMENTE
mas não vais ver mais vida senão a da gente
está tudo morto e enterrado... pela minha mão tudo cremado
tudo o que era certo agora está errado...

ouviste? OUVISTE?
hey...acorda...acorda...

um segundo depois e abrem-se as cortinas dos olhos para revelar o que chamamos de realidade, o sol bate forte na janela e os cantos dos passaros são algo ensurdecedor para uns ouvidos sonambulos tão sensiveis ao som... mas a vejo uma forma... a tua...

«hey...acorda...acorda... tiveste um pesadelo...»
e sinto-me seguro enquanto ela passa a mão pelo meu cabelo
confiante enquanto ela me segura, os lábios deixam-se sorrir
deixam-se beijar enquanto eu penso... não me deixes dormir...

ou será acordar...
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Depois de cerca de 48 horas encostei a cabeça na almofada, não estou habituado a tanto tempo acordado mas saber as imagens que vou ver quando cair no sono, não quero dormir apesar de o meu corpo estar a ser sugado pelo colchão... sinto que peso o dobro... já não consigo levantar a face... já não consigo abrir os olhos... já não...

A paisagem de cinzas e desolação a cubrir o horizonte
Um parque infantil com baloiços partidos e sangue na fonte
A areia vermelha, o barulho do vento nas correntes penduradas
o silencio do resto... uma mente distorcida num conto de fadas

Eu estive aqui na infancia... EU NÃO ESTOU ERRADO
Mas pela minha mão mato tudo o que está preso ao passado
Agarrei o tempo pelo pescoço que degolei com ponteiros
Uma solução drástica mas necessária para ocupar os meus dias inteiros

Mas ainda ouço as vozes de crianças a rirem e a correr
apesar de enterradas... ficam cá dentro a bater
Os meus pensamentos distorcem tudo o que eu ouço
com este cheiro putrído entranhado na pele e no osso

EU TENHO PROBLEMAS??? É ÓBVIO QUE TENHO...
Pelos rios correm sangue e aí eu tomo banho
Esta mente corrompe tudo e tranforma em perigos
E A POBREZA ACABOU PORQUE EU MATEI OS MENDIGOS

ACABOU TUDO PARA TI... OU VAI ACABAR
Tás aqui agora não penses que vais escapar
A tua dor ainda agora começou para meu prazer
Eu tenho toda a eternidade para te ver sofrer

«ACORDA...»

ele aproxima-se de mim... é o meu espelho... mas não tem olhos, tem poços pretos que sugam toda a vida ao invés, ele com um braço levanta-me do chão pelo pescoço... sinto as suas unhas a furarem a pele até ao músculo... não consigo respirar... os meus olhos reviram-se nas órbitas... o meu nariz sangra... tremo compulsivamente... sinto o sabor do sangue na boca...

«ACORDA...ACORDAAAAAAAAAAAAAAA»

está tudo tudo escuro nesta dimensão... pareçe que estou num espaço sideral sem estrelas... mas eu não quero... não quero viver debaixo de um céu onde as estrelas estão mortas... sinto a minha cara ensopada... como se gotas de chuva caiem-se uma a uma sobre o meu rosto... serão as tuas lágrimas?

«POR FAVOR ACORDA...POR FAVOR...»

Sei que me vais odiar por isto meu amor... mas se eu acordar... vou ter de voltar a dormir...

Ali estava eu... no meu próprio purgatório... algo criado pela minha própria mente para não acordar e não entrar num estado de sono. Vivia na penumbra com pouca luz a radiar do meu mundo real e uma certa luz vermelha e um cheiro nauseabundo a vir do meu subconsciente louco e destrutivo...

Como descrever que eu estava sentado de pernas cruzadas e mãos na cabeça no nada... como descrever o nada... talvez vazio de tudo ou cheio de coisa nenhuma... ao menos tinha espaço, muito espaço até... lá as minhas ideias, qualidades e defeitos tomavam forma fisica e livre de gravidade... os meus defeitos matavam as ideias que por sua vez voltavam a existir devido ás minhas qualidades entrando num ciclo vicioso de vida e morte...

Coma profundo dizem eles os entendidos, previamente qualificados nas escolas mais caras...

Tenho de acreditar... enquanto a minha mente toma forma fisica e divide-se entre o acordar para um mundo onde sou mero pião... ou dormir e entrar no meu reinado de desolação...

este espaço infinito de repente transforma-se em claustrofóbico... eu sei que sou forçado a tomar uma decisão. Levanto-me, começo a correr, não paro, cada vez mais rápido, rumo a nada para escapar ao inescapável, luto contra o imbatível, mas não paro por nada, não posso...até que bato de cabeça em absolutamente nada... uma parede... espelhado a reflectir aquilo que sou... limites no infinito???

Era esta a lição moral da minha própria loucura... vivi sempre dentro das minhas próprias limitações, nunca quis lutar por algo mais do que aquilo que era possivel... a minha própria mente explodiu por mim e revelou-me algo megalomaniaco que eu confinei por tanto tempo... ISTO É A MINHA MENTE E EU FAÇO DELA O QUE EU QUERO ... olho para a minha mão vazia e ponho um cigarro na ponta dos dedos previamente aceso... NADA MAS NADA VAI-ME IMPEDIR DE SONHAR ESTA NOITE...

Olho para o espelho... vejo em mim o velho homem banal com a expressão louca dos meus sonhos...
o sangue da pancada com a testa escorre pelos meus olhos atravessando a face até ao queixo e cai gota a gota no vazio... prendo a beata entre o indicador e polegar direito de maneira a deitá-la fora... um ultimo relance ao espelho... fecho os olhos... chegou o tempo...

«minha senhora... o seu marido... está a dar sinais de vida...»

olho para a cara dela como a recordação mais doce da qual senti mais falta... drogado... sinto o meu corpo a deixar este estado entorpecido e dormente para esticar uma mão para lhe sentir o rosto, a pele macia... ver as reacções nos olhos e lábios... ela sentou-se ali ao meu lado... disse as palavras que caracterizaram o medo pelo qual passou, sentiu as palavras do medo dos médicos cépticos e pouco esperançosos... e agora valoriza aquilo que poderia ter perdido como se o tivesse... assim como eu...

- quanto tempo estive fora de mim?
- o suficiente para nunca mais te ires embora...


Posted at 04:44 pm by Deadstar
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Oct 17, 2004
Débito numa conta mental

Quando a mente colapsa o corpo vai atrás

Força...
houve um momento claro em que eu não me conheci ao espelho, um momento óbvio de reflexão, não... não era assim tão óbvio pois eu não pensei, nem pensei em pensar sequer no óbvio da reflexão, não o reflexo do espelho, mas uma introspectiva para ver se encontrava em mim algo que me desse força, passei por um mau bocado sem ser eu, via apenas o monstro que precisava de apoio, e não o eu que era capaz de me pôr bem sozinho... aprendi da pior maneira... sozinho, agora pouco se compara a esta força, algo incapaz de ser expresso fisicamente sem ser num acto altruista, mentalmente apoio-me tendo apenas a memória do que foi ser outro alguém, sem ser eu...
Calma...

Tudo acontece num momento tão rápido, e depois evoluiu para um processo tão lento e doloroso, e mostramos quem somos para sermos rebaixados por isso, vergonha... contempla-se a morte fisica num momento próprio para isso mesmo, culpa...

Redenção...
Ser o melhor possivel...sofrer...mas pensar que isso tudo tem um objectivo ou um propósito... a verdade é que não tem...mas a mente mente e o coração sente que a mentira é a verdade simplesmente porque assim o quer...e morrem os anjos...

Quando o corpo quer colapsar, a mente mostra o seu verdadeiro valor e isto sim é força de viver...


Posted at 04:22 pm by Deadstar
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Oct 15, 2004
Se eu pudesse tocar

Eu estou aqui... invisivel
Palavras consumiram a forma e a cor que eu antes tinha...ou a falta delas
não sei bem...
Se foi porque falei demais ou por não ter ouvido nada em resposta
Indiferente
Irrelevante
Sei que os erros deixaram-me assim, e antes de aprender com eles sofro por eles
um segundo chega para desfigurar toda a beleza que tinha em mim...um instante
Preferia não ser assim, estar indiferente, não estar lá...mas estou
Invísivel...mas estou aqui


Posted at 05:38 pm by Deadstar
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Sep 29, 2004
Dupla personalidade

Respiro mas não sei como...
Fico a pensar nas coisas que faço mecanicamente
fico a ver a vida cada vez mais rotineira
quando era miudo não me lembro de ser assim
deve ser algo que vem com a idade e a integração no mundo social

Gostava de mudar de vida...mas não perdê-la

Amo e sei o porquê
Fico a pensar nas coisas que aconteceram subitamente
fico a ver a morte de outra maneira
fico velho só de pensar que chegou o fim
devo ter perdido a sanidade algures na desintegração mental

Gostava de ser um sacrificio que conseguisse ficar vivo

Força é tudo o que tenho
A esperança morreu e o meu amor com ela...

melhores dias virão...

Posted at 02:45 pm by Deadstar
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Sep 25, 2004
Better off dead

Acordei a suar e a chorar...
acordei a gritar para dentro...
isto já é a 2ª noite em k isto me acontece...
não consigo esquecer os rostos de todas as pessoas que eu conheço a chorarem no meu funeral

mas é só um sonho
porque é que eu penso tanto nas facilidades que isso me traria
suponho que estou mais fraco do que propriamente gostaria de admitir
suponho que se a esperança já morreu o que faço eu de pé?
mas são só sonhos
não os posso deixar dominar
mas cada noite que passa fundem-se mais com a realidade
tenho medo de dormir....

Posted at 12:44 pm by Deadstar
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Sep 22, 2004
Loser

Parem de me dizer aquilo que eu não quero ouvir, tudo o que tenho é uma esperança turva e nublada
Para quem sabe o que é ser feliz estar bem não chega nada, lagrimas confundem-se naquilo que sou... não dá para mentir quando tudo morre...tudo o silencio mata...palavras...
só palavras...sei que estão cheias de sentimento seja ele qual for, mas eu preciso de ouvir algo que eu queira sentir...

Perco-me em palavras...não ditas...

O sol brilha lá fora... mas não cá dentro
O mundo muda lá fora... e mudo por dentro
o mundo gira e eu não sinto... e eu mudo mas ele não sente
Durmo assombrado por uma imagem tão bela...

E quando todos se preocupam contigo mas tu só te preocupas com ela
E quando todos a criticam e tu só a defendes
E quando tás no chão ela pisa-te, quando ela tá no chão tu ajudas

e todos te chamam otário de merda

São amigos... eu sei... alguns até já sabem que eu não oiço seus conselhos
Eu era capaz de trocar tudo desta vida que levo... por... palavras...

Posted at 06:54 pm by Deadstar
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Aug 27, 2004
Vivencia

Ele sabe pelo que passou, ele tem as tatuagens e as cicatrizes todas, ele lembra-se de como tudo começou, ele sabe o que faz agora pois já nada é novo, ele viveu consoante o tempo, ora claro ora escuro, ele esteve bem quando soube ser ele próprio e nunca culpou o sistema pelos seus sentimentos. Ele sabe que tudo o que sente foi obra dele próprio, tudo o que via na televisão ou sugava da folha do jornal não lhe dizia respeito, mas até aí ele aprendeu... indirectamente o mundo ensinou-o a ser um ser.
Mas ele não usou o alheio para se formar, ele trabalhou a vida toda dele para ser alguém a quem pudesse ter orgulho de...só queria olhar para o espelho sem vergonha ou remorsos... o seu maior feito foi existir e socializar, agora todos olham para ele e lembram-se de quem ele é e de quem ele foi.

Até quem lhe carvou a lápide tinha algo a dizer...
«foi um bom homem»

Tanto trabalho para ser alguem, tanto suor para ter um caracter que lhe agradasse a ele e aos outros mas o mundo não parou para ele fazer isso, e até no hora de sua morte ele sabe que aquilo não era o fim...se tivesse mais tempo ele iria aprender mais alguma coisa.

Mas aí ninguem se vai lembrar do que ele poderia ainda ter sido.
 


Posted at 12:15 pm by Deadstar
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Aug 5, 2004
Esfera da realidade

Os meus anjos tornam-se os meus demónios do dia para a madrugada
Um céu nublado pode esconder um céu limpo mas nunca o contrário...
A visão sã é substituida por uma dormente e drogada
preso nos teus sentimentos tb fiko preso neste armário...

A razão perde o sentido e já esqueci a liberdade
Dormente e zombificado sinto o coma a chegar
Pequenos pormenores que me matam a sanidade
não consigo esquecer, não consigo enterrar

Mas onde estás tu na tua poltrona?
Enquanto a escuridão chega e a luz te abraça...
grilhões prendem-me tu és minha dona...
O tempo cura mas o tempo não passa

E eu perco-me em palavras doces e mortas
cruel sentido de algo que devia ter ouvido
E tu perdes-te na consciencia sem respostas
tu vais-te lembrar de quem devias ter sido


Posted at 04:04 pm by Deadstar
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Jul 29, 2004
Acto ou efeito de ignorar

Há pessoas a mais que vivem sem saberem que são felizes

Uma falha no sorriso destingue o material do espiritual
Algo que não permite ver a felicidade entre o verbo possuir e o verbo sentir

Nem tudo o que poderemos vir a ter nos fará especialmente felizes
Mas há coisas pequenas e/ou insignificantes que já temos e mal reparamos no bem que nos fazem
Provavelmente só reparamos nisso quando as perdemos
E nem todas as lutas podem-nas recuperar...

...uma falha no sorriso, no corpo, na alma...
...uma falha ao pensar e depois ao repensar...
...uma falha, depois outra e outra e outra...

Esta vida dá-nos uns certos momentos pa ver que tudo está bem
Nos outros é querer mais para consertar o que nunca esteve partido

materialismo e comodismo andam de mãos dadas pelas nossas cabeças
ambos querem mais e voçês querem dar mais a isso
Até que chegue o momento em que o barco em que estão
se afunde em ganancia e se afogue em miséria...

                                                                                                             João André
                                                                                                             Roadbook


Posted at 06:50 am by Deadstar
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Jul 24, 2004
A maçã

Amores proibidos de alguma forma belos e desvastadores

Sucumbir aos desejos de ambos, a improvisar o que antes era o nosso papel
As deixas morreram, atropeladas pela imprevisibilidade dos teus sentimentos

Sei que pode nunca mais existir algo de tão profundo entre as personagens que fomos criando um para o outro... Tudo o que restou foi saborear um curto titulo de amante para com isso saborear os meus ultimos momentos contigo...

Ver o fim tão perto

Decido não pensar mais nisto, reduzir o impacto do fruto proibido na minha vida
Pode ser que já seja crime sentimental
E um dia pode ser que se torne até mesmo ilegal
O facto de amar quem não nos quer por perto....

Deixo ao destino saber se em todo o caos, se em toda esta paisagem calamitica que é o pensar
se ainda te vou ver...

Deixo o tempo passar...

Posted at 12:42 pm by Deadstar
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